01.12.19

Quando fomos convidados para a gravação de nosso novo disco através da Residência Artística do Musibéria, organização sediada em Serpa, Portugal, que tem como fim apoiar a “criação, investigação e difusão da diáspora da cultura ibérica nos diferentes cenários da contemporaneidade”, teve início uma longa história que, como já é de praxe nas viagens do Entrevero, daria (ou dará?) um filme: passagens aéreas Brasil-Portugal perdidas por causa da agitada agenda do nosso Jota P na banda do Hermeto Pascoal, a repentina saída do nosso então acordeonista Diego Guerro e o convite, já próximo da viagem, a Vinícius Lole com a pergunta “Você tem passaporte?”, a corrida em busca deste passaporte que não existia e que só ficou pronto (para o nosso desespero) no dia da viagem, após muitos telefonemas e pedidos suplicantes, os momentos de tensão no aeroporto de Frankfurt onde quase fomos impedidos de seguir até Portugal por falta de, pasmem, visto de trabalho, tudo pra, depois de atravessarmos o oceano, chegarmos a outro continente, irmos até as entranhas da região do Alentejo e darmos de cara com uma tradição que em muito se assemelha com a nossa: a mesma música, as mesmas roupas, as mesmas origens campesinas. Certamente, em nosso imaginário esta aproximação já existe pelo simples fato de termos sido colônia portuguesa e, assim, termos tanto do que hoje nos faz brasileiros vindo do Velho Mundo, a começar pelo idioma. Porém, ao ver de perto estas similaridades, percebemos o quanto a “diáspora da cultura ibérica” se une a outras diásporas culturais para nos fazer - brasileiros, portugueses, espanhóis, argentinos,  uruguaios -, a despeito de nossas particularidades, a mesma gente, separados por fronteiras físicas que não nos dividem de fato, mas que servem unicamente a projetos de poder. Assim, quando entramos no estúdio do Musibéria para gravar nosso quarto álbum, “Incurso”, estas discussões foram inevitáveis e a provocação à existência destas fronteiras, que já era tônica em nosso trabalho, surgiu quase que como um tema do disco. “Incurso” representa esta invasão às avessas, não para tomar ou para ceder, mas para trocar e ressignificar; representa uma investida a um centro que nos gerou para podermos reafirmar, por fim, que não há centro; representa um embate entre as tradições inventadas e que inventamos a cada dia, entre a milonga e o eletrônico, entre o regional e o contemporâneo, um Entrevero de ideias que não busca uma vitoriosa, mas uma síntese capaz de nos deslocar do lugar comum que nos é dado.

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O Entrevero Instrumental é formado por Arthur Boscato [violão sete cordas], Vinícius Lole [acordeon], Jota P Barbosa [saxofone], Filipe Maliska [bateria] e Rodrigo Moreira [baixo] e apresenta um trabalho autoral de música instrumental brasileira com grande influência dos ritmos do sul do Brasil e da música contemporânea.

Já passou por mais de 60 cidades do Brasil, entre os estados de SC, PR, RS, SP, RJ, MG, PE, CE e BA. Foi selecionado para as turnês: Circuito SESC Teatros 2010, Circuito SESC Música 2012, Circuito Cultural SESI 2013, Circuito Cultural SESI 2014. Realizou também uma turnê em 2013 por França e Espanha, com o apoio do Ministério da Cultura, e a turnê Ao Sul em 2017, que passou por Argentina, Uruguai e sul do Brasil. Em 2018 realizou a turnê Desterro por Portugal e Itália, tocando em um dos mais importante clubes de jazz da Europa, O Hotclube de Portugal, além de concertos em Serpa, Milão, Turim e Lisboa. 

Participou de importantes festivais como o Savassi Festival 2011 em Belo Horizonte, o Joinville Jazz Festival 2010, o Festival Internacional  Jazz a la Calle 2015 no Uruguai, Mostra SESC Cariri 2015 no Ceará , Festival de Inverno de Garanhuns 2014, Copa do Mundo 2014 em Salvador e Experimentasom no SESC Sorocaba em 2017.

 

Recebeu o prêmio Novos Talentos do Jazz 2011, o Itaú Rumos Música 2010-2012, Prêmio Elisabete Anderle 2010 pelo disco Siri al Presto, Prêmio Funarte de Música Brasileira em 2013 pelo disco Êxodo  e Prêmio Elisabete Anderle 2015 pelo disco Estratossoma. Realizou em 2017 o programa Instrumental SESC Brasil.  

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sinopse/

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 2019 por Maleta Criativa